sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Rascunho de Carta



Rascunho de Carta

Esse vento ... a mão da amada malvada.
Gravetos enforcando o ar que respiro.
Nossos olhos sedentos, de vampiro,
batem pálpebras pela madrugada.

Não sei de que dores foi desenhada
a palavra amor, manchando papiro.
Esta mancha rubra - a que me refiro - 
fere em vermelho velho toda a estrada.

Soluçando, o sol não esculpe sombras.
O que foi paisagem branca de pombos
são missivas de cinzas, sobras, sonhos.

Componho outro epílogo, outro poema, 
monólogos de uma boca fria, extrema,
a reunir trevas e luz: versos estranhos.

Edmar Guimarães

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